Ed#2 | ColaborARTE | Desenhando Letras e fazendo negócios no Brasil

abril 10, 2017 4:49 pm Publicado por Deixe um comentário

A comunicação oferece inimagináveis alternativas para que possamos explorar nossas paixões e atuar aprimorando a arte que nos fascina. As letras de nosso cotidiano, do modo como escrevemos às fontes que são usadas para dar cara a marcas e produtos, também são um campo de estudo para aqueles que admiram curvas e formas.

“A tipografia (do gregos typos — “forma” — e graphein — “escrita”) é a arte e o processo de criação na composição de um texto, física ou digitalmente. Assim como no design gráfico em geral, o objetivo principal da tipografia é dar ordem estrutural e forma à comunicação escrita. Por analogia, tipografia também passou a ser um modo de se referir à gráfica que usa uma prensa de tipos móveis.”
– Wikipédia

No Brasil, nova e velha guarda se unem para criar uma expressão variada para o jeito como fazemos e vendemos fontes. Nesta edição da Elos Criativos, usamos fontes criadas por brasileiros (Coiny, de Marcelo Magalhães; Ninja Gaiden, de Rafael Nascimento; Lusitana, de Ana Paula Megda), indicadas por Henrique Nardi, apaixonado e acadêmico visceral nesta área. É dele também a indicação deste artigo de Yves Peter, que nos conta mais sobre a tipografia no Brasil e suas evoluções, Tipos Brasileiros – The Brazilian Type Scene ( https://www.fontshop.com/content/fontes-brasileiras-the-brazilian-type-scene ).

“Meu primeiro encontro com a cena de design local em São Paulo me deu um pouco da impressão de que está acontecendo nesta área, com novos talentos emergentes e trabalhos interessantes sendo lançados.”

Escrito em 2015 para a FontShop, Yves Peter nos conta um pouco sobre sua experiência com tipógrafos brasileiros e suas impressões da criatividade nacional. Expomos aqui alguns trechos deste artigo para destacar a evolução do Tipo no Brasil e como ele contribui para nosso reconhecimento no mercado internacional.

“A bienal de Tipos Latinos, que teve a sexta edição no ano 2014, não deixa dúvidas de que esta é uma época de ouro para a tipografia latino-americana. O Brasil tornou-se parte integrante da vibrante cultura tipográfica que a América Latina tem há mais de uma década.”

A história da tipografia no Brasil destaca nossa característica multicultural. As primeiras produções comerciais ainda se inspiravam nos desenhos europeus ou americanos, mas começamos dar grandes saltos em explorar as muitas identidades nacionais com a chegada das fontes digitais. Yves nos recomenda o livro Fontes Digitais Brasileiras, de 1989 a 2001, editado por Priscila Lena Farias e Gustavo Piqueira, como fonte de sua pesquisa sobre este crescimento.

Um aspecto relevante que vivenciamos por aqui é a capacidade dos nossos designers desenvolverem-se quase que de modo auto-suficiente em suas habilidades tipográficas. Alguns como Marconi Lima, Henrique Beier e Tony de Marco lapidaram suas qualidades com anos de empenho e dedicação praticamente altruístas, apaixonados por letras desenharam e compuseram diversos projetos antes de verem suas primeiras fontes serem comercializadas.

“Um fio que conecta todos eles é que são testemunhas do movimento individual, a dedicação e o compromisso dos designers que estão desenvolvendo e aperfeiçoando seu trabalho.”

Com sua expansão e maior alcance nacional, o mercado tipográfico viu por aqui uma variedade de projetos que nem sempre possuíam uma real qualidade quando colocadas diante da ergonomia e eficiência das fontes criadas pelas agências mais reconhecidas.

“No entanto grandes avanços foram feitos na educação de design, e a cultura tipográfica está se espalhando rapidamente. Através de aulas e workshops designers tipográficos tentam incutir nos alunos um amor e a consciência para a tipografia, que por sua vez torna-os mais conhecedores sobre os tipos. Ano após ano, as atividades promovendo a educação tipográfica e o desenho de fontes trouxeram ao Brasil o projeto educativo Tipocracia, eventos como Tipos Latinos, DiaTipo, escritores locais como Priscila Lena Farias e Claudio Rocha, rompendo gradualmente as barreiras restantes. Hoje, uma incrível quantidade de conhecimento está disponível apenas a alguns cliques de distância – tutoriais, palestras, artigos, fóruns. Isso simplesmente não existia há uma década. Permitindo assim que os designers de tipo brasileiros superassem o experimentalismo puro e se juntassem ao mercado profissional de fontes globais.”

Ainda estamos engatinhando no que se refere ao volume de negócios feitos em tipografia. O licenciamento, as leis internacionais de direito autoral e a pirataria são desafios que nossos profissionais lidam no dia a dia. Porém com a rica diversidade de nossos olhares, com a criatividade audaciosa dos designers das diferentes regiões do país, temos vistos projetos de fontes premiados em eventos internacionais e cada vez mais pessoas de terras tupiniquins levando nossa arte tipográfica para ganhar destaque onde antes não tínhamos acesso.

“Os designers brasileiros podem se recuperar de sua cultura patrimonial e visual para conseguir isso. Ao incorporar o “joi-de-vivre” brasileiro e sua alegria em seus designs, eles podem oferecer tipos de letra verdadeiramente únicos para uma audiência global.”

Como designer de fonte e um ícone no mundo da tipografia, Yves nos mostra com sua leitura sobre nosso mercado e ascensão, o quanto já conseguimos de atenção daqueles que fazem desta arte um marco para o crescimento pessoal e coletivo. O agrupamento dos interessados em viver desses talentos é essencial para que, cada um que se aventure nesse caminho das letras, possa com humildade e sede de conhecimento conquistar criativamente novos horizontes em sua estabilidade econômica e profissional.

Artigo de Henrique Dias.

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